{"id":78,"date":"2012-01-03T18:24:27","date_gmt":"2012-01-03T20:24:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontrarealengo.com.br\/noticias\/?p=78"},"modified":"2013-08-15T15:15:16","modified_gmt":"2013-08-15T17:15:16","slug":"seguranca-publica-no-rio-teve-2011-marcado-por-chacina-de-realengo-assassinato-de-juiza-e-ocupacao-da-rocinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontrarealengo.com.br\/noticias\/seguranca-publica-no-rio-teve-2011-marcado-por-chacina-de-realengo-assassinato-de-juiza-e-ocupacao-da-rocinha\/","title":{"rendered":"Seguran\u00e7a p\u00fablica no Rio teve 2011 marcado por chacina de Realengo, assassinato de ju\u00edza e ocupa\u00e7\u00e3o da Rocinha"},"content":{"rendered":"<p>O bairro de Realengo, 8 horas da manh\u00e3, de 7 de abril. Um jovem de 24 anos entra na Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro do sub\u00farbio do Rio de Janeiro. Wellington de Oliveira \u00e9 um ex-aluno e diz, na portaria, ter sido convidado para uma palestra. Naquele momento, ningu\u00e9m al\u00e9m do pr\u00f3prio Wellington imaginava o que iria acontecer em seguida.<\/p>\n<p>Pouco depois de entrar na escola, o ex-aluno sacou duas armas e disparou contra estudantes. O resultado foi um massacre, que deixou 12 crian\u00e7as e adolescentes mortos, al\u00e9m de dezenas de feridos, e s\u00f3 terminou quando um policial, avisado por um dos alunos sobreviventes, interrompeu o tiroteio.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio, que ficou conhecido como Chacina de Realengo, foi apenas um dos casos na \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica, no Rio de Janeiro, a ganhar destaque da imprensa nacional e internacional, em 2011.<\/p>\n<p>No dia 12 de agosto, o assassinato da ju\u00edza criminal Patr\u00edcia Acioli, conhecida por sua atua\u00e7\u00e3o contra desvios de conduta de policiais militares, tamb\u00e9m ganharia destaque no notici\u00e1rio. A ju\u00edza, que condenara e levara \u00e0 pris\u00e3o diversos policiais no munic\u00edpio de S\u00e3o Gon\u00e7alo, no Grande Rio, foi morta na porta de casa, quando retornava do trabalho.<\/p>\n<p>A suspeita recaiu sobre um grupo de 11 policiais militares, que estava na mira da ju\u00edza, por se envolver com criminosos e forjar autos de resist\u00eancia, um procedimento administrativo em que a pol\u00edcia alega que matou um suspeito porque ele resistiu, de forma violenta, \u00e0 abordagem policial.<\/p>\n<p>Um dos acusados da morte da ju\u00edza \u00e9 um coronel da Pol\u00edcia Militar (PM), ex-comandante do Batalh\u00e3o de S\u00e3o Gon\u00e7alo, Cl\u00e1udio Luiz Silva de Oliveira. A pris\u00e3o do oficial provocou a demiss\u00e3o do comandante-geral da Pol\u00edcia Militar, M\u00e1rio S\u00e9rgio Duarte, que havia indicado Oliveira para o comando de S\u00e3o Gon\u00e7alo.<\/p>\n<p>O assassinato de Patr\u00edcia Acioli recolocou em pauta o envolvimento de agentes da lei com a criminalidade no estado do Rio de Janeiro, que, historicamente, viu envolvimento de policiais com grupos de exterm\u00ednio, m\u00e1fias de jogos ilegais, traficantes de drogas e mil\u00edcias.<\/p>\n<p>Mil\u00edcias que motivaram um deputado estadual fluminense a deixar o pa\u00eds, por alguns dias, em novembro. Dizendo-se preocupado com sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a, Marcelo Freixo (PSOL), presidente da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, foi para a Europa, depois de receber seguidas amea\u00e7as de morte de integrantes desses grupos criminosos.<\/p>\n<p>Freixo, que presidiu uma comiss\u00e3o parlamentar de inqu\u00e9rito (CPI) para investigar as mil\u00edcias fluminenses, em 2008, \u00e9 conhecido por sua atua\u00e7\u00e3o parlamentar contra esses grupos paramilitares formados por policiais, que controlam comunidades carentes do Rio, por meio da explora\u00e7\u00e3o de atividades ilegais e da extors\u00e3o a moradores. Apenas em outubro, ele recebeu sete amea\u00e7as de morte.<\/p>\n<p>\u201cCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mil\u00edcias, a pol\u00edtica de seguran\u00e7a do Rio foi uma trag\u00e9dia. As mil\u00edcias cresceram e continuam sendo fortes. Eles mataram uma ju\u00edza, amea\u00e7aram minha vida como parlamentar e hoje dominam mais de 300 \u00e1reas. Em 2008, quando fizemos a CPI, eram 170 \u00e1reas. Ent\u00e3o, \u00e9 o poder de uma m\u00e1fia, em expans\u00e3o, se consolidando\u201d, disse Freixo.<\/p>\n<p>Em fevereiro, a Pol\u00edcia Federal j\u00e1 havia investigado supostas liga\u00e7\u00f5es de 32 policiais civis e militares fluminenses com m\u00e1fias de jogos ilegais, mil\u00edcias e traficantes de drogas. A chamada Opera\u00e7\u00e3o Guilhotina levou \u00e0 pris\u00e3o agentes como o delegado Carlos Oliveira, que foi subchefe operacional da Pol\u00edcia Civil, e provocou a demiss\u00e3o do ent\u00e3o chefe da Pol\u00edcia Civil, Allan Turnowski. Os suspeitos acabaram sendo soltos dois meses depois, por decis\u00e3o da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>A Secretaria de Seguran\u00e7a informou, por meio de nota, que colaborou com a Opera\u00e7\u00e3o Guilhotina e que considera desvio de conduta \u201calgo lament\u00e1vel que sempre foi combatido e sempre ser\u00e1 combatido por essa gest\u00e3o da Secretaria\u201d. Segundo a nota, essa m\u00e1 conduta \u00e9 \u201cpertinente a um pequeno grupo de pessoas\u201d dentro das pol\u00edcias.<\/p>\n<p>Sobre a queda do coronel M\u00e1rio S\u00e9rgio Duarte, a Secretaria elogiou o trabalho feito sob a gest\u00e3o do ex-comandante da PM, dizendo que ele \u201cteve participa\u00e7\u00e3o decisiva em v\u00e1rios momentos em que a Pol\u00edcia Militar precisou tomar decis\u00f5es bastante importantes, como foi o caso do processo de retomada da regi\u00e3o do Alem\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEle foi um homem honrado que fez uma op\u00e7\u00e3o e essa op\u00e7\u00e3o o levou a pedir para sair da Pol\u00edcia Militar. Com isso ele reconheceu que o projeto que se tem hoje na Secretaria de Seguran\u00e7a est\u00e1 acima das pessoas e dos cargos\u201d, informa a nota.<\/p>\n<p>A Secretaria disse tamb\u00e9m que o processo de enfrentamento das mil\u00edcias \u00e9 diferente do enfrentamento ao tr\u00e1fico, \u201cporque o tr\u00e1fico j\u00e1 \u00e9 um crime previsto no c\u00f3digo penal, enquanto que mil\u00edcia n\u00e3o \u00e9 uma atividade criminal tipificada na legisla\u00e7\u00e3o brasileira. Portanto, a tecnologia, o processo de investiga\u00e7\u00e3o e o procedimento de enfrentamento requer tentativas completamente diferentes.\u201d<\/p>\n<p>Por outro lado, 2011 tamb\u00e9m viu a ocupa\u00e7\u00e3o de comunidades carentes pela pol\u00edcia, para a instala\u00e7\u00e3o de unidades de Pol\u00edcia Pacificadora (UPPs) e a consolida\u00e7\u00e3o do cintur\u00e3o de seguran\u00e7a da zona sul, do Centro e da Tijuca. Entre as comunidades ocupadas neste ano, estiveram as favelas do S\u00e3o Carlos, da Mangueira, do Vidigal e da Rocinha.<\/p>\n<p>A pris\u00e3o de Ant\u00f4nio Bonfim Lopes, o Nem, apontado como chefe da Rocinha, no dia 9 de novembro, e a subsequente ocupa\u00e7\u00e3o da Rocinha pela pol\u00edcia, quatro dias depois, foram apontados pelas autoridades p\u00fablicas e pela imprensa como um marco hist\u00f3rico no combate ao tr\u00e1fico de drogas no estado.<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o da Rocinha, ocorrida um ano depois da ocupa\u00e7\u00e3o do Complexo do Alem\u00e3o, foi televisionada ao vivo e ganhou destaque em redes internacionais como a CNN e a BBC.<\/p>\n<p>\u201cVejo como altamente positivo o trabalho do secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a [Jos\u00e9 Mariano Beltrame], que tem um compromisso com a redu\u00e7\u00e3o dos homic\u00eddios dolosos, com os autos de resist\u00eancia. A ocupa\u00e7\u00e3o de comunidades nesses \u00faltimos anos, especialmente em 2010 e 2011, as ocupa\u00e7\u00f5es do Complexo do Alem\u00e3o e da Rocinha, s\u00e3o grandes vit\u00f3rias do estado. Ningu\u00e9m pode deixar de reconhecer isso\u201d, disse o presidente da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Rio de Paz, Ant\u00f4nio Carlos Costa.<\/p>\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bairro de Realengo, 8 horas da manh\u00e3, de 7 de abril. Um jovem de 24 anos entra na Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro do sub\u00farbio do Rio de Janeiro. Wellington de Oliveira \u00e9 um ex-aluno e diz, na portaria, ter sido convidado para uma palestra. 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